Solange iniciou sua carreira no Reino Unido onde trabalhou 10 anos e fez pós-graduação em Administração e mestrado em Ciência da Computação. Atualmente atua como Gerente de Projetos globalizados de TI e presta serviços de consultoria e palestras pela MindPresent. Participou como palestrante nos Congressos Brasileiro e Latino Americano organizados pelo PMI.
1) Na sua opinião, quais são as principais habilidades a serem focadas por um profissional que pretende desenvolver sua carreira na área de Gerência de Projetos?
Há muitas pesquisas de diversos autores sobre as habilidades do gerente de projeto, uma delas é do próprio PMI, que descreve as competências e habilidades do gerente de projeto no PMI Career Framework. O framework é baseado em uma pesquisa com mais de 6.000 gerentes de projeto em mais de 110 países e está disponível no site do PMI: https://pathpro.pmi.org/cf/FrameworkDisplay.aspx. As habilidades estão agrupadas em três grupos de competência: interpessoal, liderança e profissional. O site é uma fonte rica de informações para quem tiver interesse.
2) Como poderíamos descrever a liderança neural e quais suas principais contribuições nas competências do Gerente de Projetos?
O termo Liderança Neural foi cunhado por David Rock e Jeffrey Schwartz em 2006. Um dos pontos principais desse princípio é que o cérebro faz conexões que formam estradas ou mapas no cérebro e que é impossível dizer para uma pessoa como fazer essas conexões, ou pensar, mas o líder consegue ajudá-la a fazer isso por ela mesma para que ela chegue às suas próprias conclusões.
Eu tenho usado o termo de uma maneira mais ampla e uso os conhecimentos da neurociência para entender como o ser humano funciona, não só em respeito às suas conexões mentais, mas também com outros fatores como os neurotransmissores, por exemplo. Aplico então esse conhecimento para melhor entender as competências dos gerentes de projetos e como desenvolvê-las.
3) Um dos maiores desafios do Gerente de Projetos é o Gerenciamento de Riscos. Como lidar com a aversão à incerteza?
Há muitos fatores humanos que afetam o gerenciamento de riscos e um deles é a aversão à incerteza. Na década de 80, Hofstede fez uma pesquisa com 116.000 funcionários da IBM buscando diferenças entre várias nacionalidades. Uma das coisas que ele mediu foi o nível de aversão à incerteza entre 50 nacionalidades diferentes. O nível de aversão à incerteza indica o quanto a pessoa se sente incomodada com a incerteza. Por exemplo, uma pessoa pode ser tão avessa à incerteza que ela prefere tomar uma decisão independente das consequências para que ela não precise conviver mais com a incerteza, acabando assim com o risco. No geral, os países anglo-saxônicos convivem melhor com a incerteza do que os latinos, que tem um nível maior de ansiedade.
Hoje, muitos gerentes de projetos precisam se relacionar com pessoas de outras nacionalidades e entender o nível de aversão à incerteza das diferentes nacionalidades irá ajudá-lo no seu gerenciamento de risco.
4) Competência e Motivação. Como manter uma equipe competente motivada?
O reconhecimento é uma das técnicas que temos ao nosso dispor para manter uma equipe competente motivada. Hoje sabemos que o reconhecimento aumenta os níveis de dopamina no sangue. O alto nível de dopamina aumenta o desempenho e este por sua vez, quando reconhecido, aumenta o nível de dopamina. É um círculo virtuoso que temos ao nosso dispor e que não depende de nenhum investimento financeiro, podemos usá-lo amplamente.
